Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) suspeitam que uma reunião fechada entre eles, realizada na quinta-feira (12/2), pode ter sido gravada, após a divulgação de trechos detalhados do encontro, incluindo falas literais, interrupções e reações dos magistrados. A reunião tratou da permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do caso envolvendo o Banco Master.
A suspeita surgiu depois que o site Poder360 publicou diálogos atribuídos aos ministros, em relato em que são reproduzidas com precisão expressões e a dinâmica da conversa ocorrida a portas fechadas. A divulgação provocou desconforto entre integrantes da Corte.
De acordo com a publicação, na reunião reservada, oito dos 10 ministros do Supremo, inclusive Toffoli, teriam se posicionado pela permanência do ministro na relatoria do inquérito sobre as fraudes financeiras do banco de Daniel Vorcaro.
Somente o presidente do Supremo, Edson Fachin, e a ministra Cármen Lúcia teriam se manifestado pela saída de Toffoli da relatoria. A reportagem do Poder360 aponta que além do próprio Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin defenderam a manutenção do relator.
No entanto, após uma manifestação de Dino sobre o contexto político do caso Master, Toffoli teria se convencido de que o melhor movimento era o seu afastamento da relatoria, o que foi anunciado na noite desta quinta. Com a saída de Toffoli, André Mendonça foi sorteado como o novo relator do caso Master.
Segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, os ministros ouvidos reservadamente relataram perplexidade com o nível de detalhamento do material divulgado e passaram a considerar a possibilidade de que tenha havido algum tipo de registro da sessão.
Encontros dessa natureza não são gravados oficialmente e fazem parte de um espaço institucional de deliberação interna, baseado na confiança entre os pares. A hipótese de uma gravação não autorizada, ainda que não confirmada, é vista como potencial quebra desse pacto.
O conteúdo publicado também teria sido interpretado por parte dos magistrados como favorável a Toffoli, ao destacar argumentos que o beneficiariam no debate sobre sua permanência no processo. O ministro é citado em relatório da Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master, o que levou colegas a discutirem se ele deveria se declarar impedido de seguir à frente da relatoria.
De acordo com Poder360, Toffoli negou de forma categórica qualquer envolvimento com gravação ou vazamento de informações. Ele classificou as suspeitas como “absolutamente inverídicas” e afirmou nunca ter gravado conversas de colegas. O ministro também declarou estar indignado com as insinuações e reiterou que respeita o caráter reservado das deliberações internas.
Até o momento, não há confirmação oficial de que a reunião tenha sido gravada. A reportagem do Correio entrou em contato com as assessorias do ministro Dias Toffoli e do Supremo Tribunal Federal, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
