DANÇA DAS CADEIRAS DOS PARTIDOS E A CRISE DE REPRESENTATIVIDADE NA POLÍTICA

EDMILSON LUCENA

O que revela a dança das cadeiras aberta pela oportunidade da janela partidária? A crise de representatividade da nossa democracia indireta. Os partidos políticos – com raras exceções – não possuem crenças sólidas, assim como a maioria dos políticos abrigados por estes. Diferem apenas – em maior ou menor grau – na forma como pensam intervir no Estado para se manterem vivos no estamento burocrático vigente.

Claro que há exceções. Mas como está embutido no vocábulo “exceções”, elas são raras…

O sistema, portanto, já começa prostituído.

E o que os partidos fazem diante do desgaste promovido pela crise de representatividade: mudam de nome. Demonizam a palavra “partido” e viram Avante, Podemos, Movimento etc. Como se isso dissesse grande coisa ou significasse realmente mudança. É como pintar o muro externo da casa sem muitas vezes reformar o interior.

Até o desgastado PMDB, que é parte do problema de um governo irresponsável do passado, virou o MDB, querendo resgatar sua posição de luta contra o regime militar.

Nos muitos partidos que formam a democracia brasileira, em geral o que temos é 50 tons do mesmo cinza. Logo, o que significa a ida de um pré-candidato da sigla X para a sigla Y? Nada além de encontrar o melhor lugar onde a soma dos votos lhe garanta uma eleição mais fácil.

O eleitor tem sua parcela de culpa? Claro! Na maioria das vezes, ao ver um político investigado por algum fato, terceiriza a responsabilidade para a Justiça. Fica a espera de um milagre para que aquele político perca os privilégios e só então responda pelos seus atos.

Regressando ao tema principal que é a mudança de legenda: o que vemos é o circo eleitoral em cena. Tal lógica, por exemplo, permitiu que deputados federais, estaduais e vereadores da Paraíba, para ficarmos no âmbito do nosso Estado – ao longo de suas trajetórias políticas – trocassem mais de partido do que de sapato. Eles desafiaram a química em suas vidas políticas e conseguiram misturar água e óleo.

Vivemos uma democracia indireta onde a maioria dos partidos só possui uma identidade: a “ideologia” de superar cláusula de barreira, garantir deputados federais para ter dinheiro público em suas contas e realizar conchavos estamentários que são apelidados de “governabilidade”. Nada de novo no front. Pouco importa quem foi para onde foi…é o lápis na mão e interesses inconfessáveis na cabeça…

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