
O cerco ao Banco de Brasília se intensifica devido ao prazo dado pelo Banco Central: a instituição tem até esta terça-feira para apresentar uma solução que cubra as perdas financeiras resultantes da tentativa frustrada de compra do Banco Master. A movimentação quase diária de advogados e do próprio banqueiro na sede da Polícia Federal indica que o compartilhamento de dados sensíveis sobre essas operações está em estágio avançado.
Expurgos na CVM e atuação de Flávio Dino
O escândalo da fraude bilionária provocou uma reestruturação imediata na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O presidente interino da autarquia, João Carlos Accioly, demitiu o superintendente-geral, Alexandre Pinheiro dos Santos, e o supervisor de investidores institucionais, Marco Antônio Velloso de Sousa. O objetivo da medida é realizar um “pente-fino” na estrutura de fiscalização para impedir que irregularidades semelhantes às identificadas no caso Master voltem a ocorrer.
Paralelamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, convocou uma audiência para discutir a atuação da CVM. A decisão de Dino baseia-se em declarações da própria entidade, que admitiu ter identificado movimentações atípicas envolvendo o Banco Master, mas alegou limitações orçamentárias e de pessoal para agir de forma mais incisiva. A audiência ocorre no âmbito de uma ação apresentada pelo partido Novo, que questiona as taxas cobradas pela autarquia.
“Emendas PIX” e a Fundação Oásis
Outra frente de investigação conduzida pelo ministro Flávio Dino aponta para a falta de transparência no uso de “emendas PIX”. O magistrado identificou repasses de cerca de R$ 3,5 milhões para a Fundação Oásis, braço da Igreja Batista da Lagoinha. A entidade entrou no radar das autoridades devido à ligação entre o ex-pastor Fabiano Zettel e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Dino determinou que o senador Carlos Viana preste esclarecimentos detalhados sobre o envio desses recursos. Embora o parlamentar negue qualquer irregularidade, o ministro apontou lacunas nas justificativas apresentadas até o momento e ordenou a coleta de novos documentos para instruir o processo. O caso reforça o cruzamento de interesses entre o setor financeiro, lideranças religiosas e o repasse de verbas parlamentares sob investigação.