ESTÁ EXPLICADO: Desembargador que absolveu acusado de estupro de vulnerável também é denunciado por abuso sexual

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a apuração de uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos pelo crime de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos.

O relator do caso, desembargador Magid Nauef Lauar, acompanhado pelo colega Walner Barbosa Milward de Azevedo, justificou a absolvição alegando que a relação era consensual e de conhecimento da mãe da vítima, formando um “núcleo familiar”.

A decisão gerou forte repercussão negativa, uma vez que o Código de Processo Penal estabelece, desde 2009, que qualquer relação sexual com menores de 14 anos é crime, independentemente de consentimento.

O magistrado chegou a argumentar que “costumes da cidade” e experiências anteriores da vítima retirariam sua condição de vulnerabilidade. Após o acórdão, o réu, que havia sido condenado em primeira instância a nove anos de prisão, foi colocado em liberdade.

Acusações de abuso sexual contra o magistrado

Paralelamente à revisão da decisão judicial, o desembargador Magid Nauef Lauar tornou-se alvo de graves denúncias pessoais. Um sobrinho do magistrado utilizou as redes sociais para relatar que foi vítima de uma tentativa de abuso sexual por parte do tio quando tinha 14 anos e trabalhava para ele. No desabafo, o familiar afirmou que está “revivendo uma dor pessoal” e incentivou outras vítimas a denunciarem.

Após a publicação, uma segunda mulher também acusou o magistrado, afirmando que ela e a irmã foram vítimas de Lauar há muitos anos, época em que trabalhavam para a família dele. “O silêncio só protege quem errou”, escreveu a denunciante em apoio ao sobrinho do desembargador.

Providências das autoridades e situação funcional

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que já instaurou um procedimento administrativo para apurar eventual falta funcional do magistrado diante das novas denúncias. O CNJ, por sua vez, deu um prazo de cinco dias para que Lauar preste esclarecimentos sobre a decisão proferida no caso de Indianópolis.

A reportagem apurou que o desembargador Magid Nauef Lauar é aposentado por invalidez pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) desde 2013, mas permanece exercendo suas funções normalmente no TJMG.

O Ministério Público de Minas Gerais anunciou que adotará as providências recursais cabíveis para reverter a absolvição do homem de 35 anos. Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos reforçou que o Brasil adota a lógica da proteção integral de crianças e adolescentes, conforme prevê a Constituição Federal.

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