
A votação da indicação do republicano Daniel Perez para comandar a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil foi adiada mais uma vez pelo Senado norte-americano. Prevista inicialmente para a sessão de quinta-feira (6/8), a análise do nome acabou ficando de fora após um impasse entre republicanos e democratas sobre a pauta que será apreciada antes do recesso parlamentar de cinco semanas.
A expectativa agora é que Perez seja votado nesta sexta-feira (7), em um pacote com outras 73 indicações feitas pelo presidente Donald Trump. O bloco era o primeiro item da ordem do dia de quinta-feira, mas, mesmo após cerca de 12 horas de sessão, os senadores não chegaram à etapa das nomeações.
Nos bastidores, a disputa não envolve o indicado para o Brasil especificamente, mas a negociação entre os dois partidos sobre quais projetos terão prioridade antes da interrupção dos trabalhos legislativos. Segundo os jornais Politico e The Hill, republicanos e democratas passaram o dia negociando um acordo para destravar a pauta do plenário.
Líder da maioria republicana no Senado, John Thune afirmou na noite de ontem que espera colocar em votação ainda nesta sexta-feira o pacote com as 74 indicações do governo Trump. Além disso, os senadores devem analisar um projeto de financiamento provisório para evitar a paralisação do governo federal no fim de setembro e uma proposta de sanções contra a Rússia.
Os republicanos também tentam avançar com a indicação de Todd Blanche para o cargo de procurador-geral dos Estados Unidos, embora ainda busquem os votos necessários para garantir sua aprovação.
De acordo com o The Hill, os democratas sinalizaram que aceitariam acelerar as votações das indicações do governo em troca da retirada de outras propostas da pauta, entre elas um projeto relacionado ao mercado de criptomoedas.
O Senado dos Estados Unidos volta a se reunir logo mais, às 11h (horário de Brasília). A expectativa é que as primeiras votações comecem por volta das 12h30.
Apesar da expectativa de votação, a eventual aprovação de Daniel Perez pelo Senado não altera automaticamente o processo diplomático. Como mostrou o Correio, ontem, o governo brasileiro ainda analisa o pedido de agrément — autorização prévia exigida pela Convenção de Viena para que um embaixador estrangeiro possa assumir o posto.
Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a decisão seguirá os trâmites diplomáticos e rejeitam a avaliação de que a confirmação do nome pelo Senado norte-americano represente qualquer tipo de pressão sobre o governo brasileiro para acelerar a análise.