
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas bancárias e a indisponibilidade de bens de 49 alvos ligados a uma organização criminosa interestadual que abastece o Distrito Federal com entorpecentes. A decisão é o ponto central da Operação Eixo, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta sexta-feira (10/4).
Além do congelamento de valores, as ordens judiciais incluem o sequestro de imóveis, veículos de luxo, ações custodiadas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e criptoativos. O objetivo da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) é asfixiar o poder econômico do grupo, que utilizava uma rede sofisticada de lavagem de dinheiro para ocultar o lucro do tráfico.
A investigação revelou uma conexão direta entre criminosos brasilienses e membros das facções cariocas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP). A periculosidade do grupo ficou evidente quando a polícia identificou que três investigados do DF viajaram à comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, para receber treinamento tático com fuzis.
A rede contava ainda com apoio logístico internacional, envolvendo dois colombianos e um venezuelano. Um dos alvos colombianos, já investigado pela Polícia Federal por lavar dinheiro para facções no Amazonas, foi preso recentemente na Espanha após entrar na difusão vermelha da Interpol.
O esquema financeiro operava por meio de empresas de fachada em estados como Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Essas empresas, de curta duração e sem capacidade operacional, movimentavam cifras astronômicas — uma única conta investigada registrou mais de R$ 79 milhões em um curto período. O grupo também pulverizava os recursos por meio de transferências eletrônicas padronizadas e saques massivos em espécie para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle.
Ao todo, cerca de 200 policiais cumpriram 40 mandados de prisão temporária e 56 de busca e apreensão no DF e em outras cinco unidades da federação. A Draco ressaltou que, embora existam conexões operacionais relevantes, não há indícios de que as facções cariocas tenham instalado estruturas próprias (sedes) no DF. Os envolvidos responderão por tráfico interestadual, organização criminosa e lavagem de capitais, com penas que, somadas, podem chegar a 55 anos de reclusão.