Confira os discursos dos principais líderes em Nova York
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa nesta terça-feira, 23, na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, a partir das 10h (horário de Brasília) seguindo a tradição da cúpula com os 193 membros.
O presidente brasileiro deve fazer uma defesa enfática do que considera uma tentativa de interferência do governo Trump contra a soberania do Brasil e as instituições democráticas.

Logo após o discurso de Lula, será a vez de Donald Trump discursar pela primeira vez na Assembleia-Geral da ONU desde o seu retorno a Casa Branca em janeiro.
Existe a expectativa de que Lula e Trump se cruzem nos corredores da ONU e que cada um acompanhe as falas do outro, mas um encontro bilateral não está na agenda.
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Bolsonaro teve amplo direito de defesa e soberania é ‘inegociável’, diz Lula
Ao falar sobre o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula afirmou que o ex-chefe de Estado teve amplo direito de defesa e ao contraditório. Nesse sentido, a ingerência de nações estrangeiras no tema é “inaceitável.” “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, afirma Lula. “Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”.
Brasil está sob ataque sem precedentes, mas optou por resistir, diz Lula
“Mesmo sob um ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia reconquistada há 40 anos pelo seu povo, após duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativas para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições”, afirmou Lula sobre as sanções do governo dos Estados Unidos ao País. Segundo o presidente brasileiro, “a agressão contra a independência do Poder Judiciário (do Brasil) é inaceitável”.
Lula: ‘Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra’
“Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas”, afirma Lula ao iniciar o discurso. “Hoje, contudo, os ideais que inspiraram sua fundação estão ameaçados como nunca estiveram. O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade dessa Organização está em xeque”, completa o presidente brasileiro. “Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra”. Segundo Lula, a “ingerência em assuntos internos” do Brasil é “inaceitável” e conta com o apoio de “falsos patriotas”.
Presidente da Assembleia discursa; Lula é o próximo a falar
A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, iniciou o discurso relembrando as crises em curso na República Democrática do Congo e na Faixa de Gaza. O presidente brasileiro fala na sequência.
Secretário-geral encerra discurso; presidente da Assembleia é a próxima a falar
O secretário-geral da ONU, António Guterres, encerra o discurso de abertura da Assembleia Geral. A fala do português foi marcada pela defesa do multilateralismo. A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, é a próxima a discursar. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, fala em seguida.
Secretário-geral defende reforma do Conselho de Segurança
Ainda no discurso de abertura, António Guterres defendeu uma reforça no Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Devemos escolher a paz ancorada na lei internacional”, afirmou o secretário-geral. “O Conselho de Segurança deve ser mais representativo, mais transparente e mais eficaz. Além das respostas a crises, devemos combater a injustiça desses conflitos.”
Secretário-geral diz que Assembleia é ‘força para manutenção da paz’
No discurso de abertura da sessão, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirma que a reunião é uma “força para a manutenção da paz”.
“Anos atrás, num mundo perpassado pela guerra, os líderes fizeram uma escolha: a paz sobre o conflito. Essa escolha deu início às Nações Unidas, buscando uma estratégia prática para a sobrevivência da humanidade. Muitos dos nosso fundadores viram em primeira mão o inferno dos campos de concentração e o terror da guerra. Eles sabiam que precisávamos de um sistema para evitar uma repetição desses horrores, uma barreira contra as chamas do conflito de uma Terceira Guerra Mundial”, disse o secretário-geral. “Essa Assembleia Geral é o coração, o batimento cardíaco dessa verdade”, completou.
Em seguida, Guterres reitera a importância do multilateralismo. “A cooperação internacional não é uma ingenuidade, é um pragmatismo puro em um mundo em que o isolamento é uma ilusão”.
Serviço Secreto dos EUA afirma que encontrou chips e servidores capazes de derrubar rede de celular na ONU
O Serviço Secreto dos Estados Unidos encontrou e apreendeu em agosto deste ano uma rede ilícita de equipamentos na região de Nova York capaz de desligar a rede de celular nas proximidades da sede da ONU, onde líderes estrangeiros se preparam para a Assembleia-Geral da organização, anunciou a agência nesta terça-feira, 23.

Autoridades disseram que a rede anônima, que incluía mais de 100 mil chips e 300 servidores, poderia interferir nos serviços de resposta a emergências e poderia ser usada para realizar comunicação criptografada. Segundo um funcionário, a rede era capaz de enviar 30 milhões de mensagens de texto por minuto anonimamente, uma operação que a agência nunca tinha visto antes./com NYT
Afinal, pra que serve a ONU?
Dá para dizer que a ONU nasceu das cinzas de uma guerra que quase destruiu o planeta. Criada como um gesto de esperança, em 1945, também foi concebida como um símbolo do desespero – uma tentativa coletiva de impedir que a humanidade voltasse a mergulhar no abismo da autodestruição.
No início, a organização foi pensada como uma estrutura que transcendesse os interesses particulares dos países, uma mesa onde povos de diferente origens pudessem dialogar antes de recorrer às armas. Mais do que isso: foi desenhada como um instrumento da ideia de que a paz não é só a ausência da guerra, mas a presença da justiça e da dignidade.
A geração de líderes que projetaram a ONU não estava apenas interessada em reconstruir o que havia sido destruído, mas em reinventar a maneira como as nações conviviam. E não é preciso muito esforço para reconhecer o mérito nessa execução. Basta dizer que, desde 1945, o mundo não experimenta uma guerra direta entre grandes potências – o que já é, por si só, uma anomalia.

Antes da criação da ONU, os conflitos entre impérios, reinos e estados poderosos era quase uma constante cíclica. Grandes nações se enfrentavam em recorrência, como se a guerra fosse parte inevitável das suas relações.
É claro que isso não significa que o mundo repousou sereno, em berço esplêndido, nos últimos 80 anos. Com a ONU, a humanidade também registrou genocídios, guerras por procuração, conflitos e intervenções militares brutais. Mas nos 80 anos anteriores a 1945, as guerras (sobretudo as mundiais), com seus efeitos diretos e indiretos, mataram 5 vezes mais seres humanos do que nos 80 anos seguintes. E se é verdade que a ONU não foi a única responsável por esse feito, tampouco dá pra dizer que ela é um asterisco nessa história.
Mas esse não é o único retrato possível da organização. Ao longo do tempo, a ONU também foi repetidas vezes vítima das suas próprias estruturas, idiossincrasias e contradições.

Há inúmeras críticas possíveis à organização: falta de eficiência em prevenir conflitos e massacres, hipocrisia, ausência de verdadeira representatividade entre países, burocracia, corrupção, viés ideológico.
O seu maior trunfo – o Conselho de Segurança – é também a sua maior fraqueza. Basta um veto de um dos cinco membros permanentes para paralisar qualquer resolução. Na prática, isso inviabiliza qualquer ação contra Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França.
A ONU age com frequência de forma impotente em momentos em que o mundo precisa dela. Em parte porque carece de mecanismos de enforcement. Em parte por covardia.