| O ministro Alexandre de Moraes, do STF, aproveitou o discurso de abertura do semestre no Judiciário nesta sexta-feira para mandar recados para o presidente dos EUA, Donald Trump, sua administração e seus aliados brasileiros (a quem chamou de “pseudopatriotas”): o tarifaço não vai influir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, e as sanções contra autoridades brasileiras serão ignoradas.
Para o colunista Leonardo Sakamoto, Moraes metaforicamente “mostrou o dedo do meio” no forte discurso, usando o termo “covarde” para o que classificou de “chantagem” do governo americano. Sem citar nomes, ressalta Sakamoto, Moraes se referia a Eduardo Bolsonaro e de seu pai, Jair, quando falava de “traidores da pátria” e de “organização criminosa miliciana”.
O comentarista Josias de Souza afirma que o discurso de Moraes dá a entender que, caso Eduardo volte ao país, será preso. Sem citar nomes, o ministro tratou o deputado federal, ora fazendo campanha nos EUA pelas medidas trumpistas, como “um fugitivo e um criminoso sob investigação” e disse que Moraes o colocou na mesma trilha que deve levar seu pai, Jair, à prisão.
E a colunista Mariana Sanches informa que o governo Trump planeja aplicar sanções a pelo menos mais quatro ministros do STF, numa forma de aumentar a pressão sobre o país.
Mas nem mesmo as sanções e invectivas de Trump animaram o Bolsonaro pai, segundo Thais Bilenky. O ex-presidente disse a aliados que não acredita que a intervenção do americano tenha “aliviado” a situação de seu processo no STF por tentativa de golpe de Estado. Pessimista, Jair acha que deve ser condenado em setembro ou outubro -ou no máximo três meses mais tarde, caso o ministro Luis Fux, que não perdeu seu visto americano, peça vista.
E, no fim do dia, falando na Casa Branca, Trump disse que Lula pode ligar para ele se quiser. ‘Vamos ver o que acontece”, disse o republicano.
Será o começo do fim da crise? |