13/10/2026 – O cineasta, escritor e professor Jomard Muniz de Britto morreu na madrugada desta segunda-feira (12), aos 89 anos, no Recife. Considerado um dos precursores do tropicalismo em Pernambuco, ele construiu uma trajetória dedicada à experimentação artística e ao questionamento das convenções culturais.
Jomard estava internado em um hospital particular da capital pernambucana após apresentar problemas respiratórios. Segundo a CBN Recife, que atribui a informação ao médico ouvido pelo g1 Pernambuco, a morte ocorreu em decorrência de complicações da doença de Parkinson.
Nascido em 1937, no bairro de São José, no Recife, formou-se em Filosofia pela antiga Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco. Sua atuação atravessou salas de aula, projetos de educação popular e espaços de criação artística. Também participou das experiências iniciais de alfabetização de adultos ligadas a Paulo Freire.
A partir dos anos 1960, tornou-se um dos articuladores da renovação cultural pernambucana. Foi um dos autores do Manifesto Tropicalista de 1968 e, nas décadas seguintes, integrou a Geração Super-8, que ampliou as possibilidades do cinema independente com produções em película de 8 milímetros. Entre seus trabalhos estão O Palhaço Degolado e Inventário de um Feudalismo Cultural, filmes associados à contestação de padrões estéticos e de referências tradicionais da cultura regional.
Para os leitores paraibanos, sua história tem uma ligação direta com a Universidade Federal da Paraíba. A redação do BC1 conferiu, em publicação da Pinacoteca da UFPB, o registro de sua atuação como professor do curso de Educação Artística. O texto também lembra três edições da coletiva Abismos, nas quais trabalhos de estudantes dialogaram com a produção contemporânea de João Pessoa e do Recife.
Essa relação com a Paraíba aparece ainda no projeto Compartilhando Memórias: Repressão e Resistência na Paraíba. Conforme o portal Memórias Reveladas, Jomard participou, ao lado de Carlos Aranha, de uma sessão de depoimentos realizada em outubro de 2011, no Auditório da Reitoria da UFPB. O encontro integrou uma iniciativa de preservação das experiências de pessoas perseguidas pela ditadura militar.
Ao longo da carreira, publicou mais de dez livros, escreveu peças teatrais e realizou mais de 30 filmes e vídeos. A diversidade dessa produção ajuda a compreender uma trajetória em que o pensamento crítico e a criação artística caminharam juntos.
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco lamentou sua morte e destacou a liberdade criativa de sua obra. A instituição recordou que cinco filmes em Super-8, digitalizados e restaurados, foram exibidos no Cinema São Luiz durante o festival Janela Internacional de Cinema do Recife, em 2025.
Jomard deixa uma obra que permite revisitar décadas de debates sobre arte, educação e liberdade no Nordeste. Seu percurso entre Pernambuco e Paraíba permanece documentado em filmes, livros, exposições e testemunhos que continuam disponíveis para novas leituras.
Com Blog do Clilson
