O tesouraço do retrocesso não pode apagar tantos sonhos sonhados

MIGUEL LUCENA
13/10/2026 – Os estudantes acordaram.
O povo despertou.
E as ruas, que pareciam adormecidas, voltaram a pulsar com os passos de quem não aceita ver o futuro condenado ao passado.
Há uma multidão caminhando.
São jovens de mochilas nas costas, professores de sonhos nas mãos, mães que carregam esperanças, pais que conhecem o peso do trabalho e filhos que ainda acreditam na força transformadora de um livro.
Não marchamos apenas por nós.
Marchamos por quem ainda não nasceu.
Marchamos para que o seu filho tenha o direito de estudar, para que a criança pobre não seja condenada à pobreza, para que a universidade não seja privilégio dos herdeiros da fortuna.
Marchamos porque a Educação é a ponte entre a infância descalça e o futuro de sapatos novos.
O tesouraço do retrocesso não pode apagar tantos sonhos sonhados.
Não podem cortar as asas de quem aprendeu a voar. Não podem fechar as portas das escolas e esperar que o povo aceite viver na escuridão. Não podem transformar direitos conquistados em favores concedidos.
Cada escola aberta é uma janela para a liberdade. Cada universidade pública é uma trincheira contra a desigualdade. Cada professor valorizado é uma semente de esperança lançada no chão da pátria.
E a democracia não é um presente dos poderosos. É conquista de gerações que enfrentaram a censura, o medo, a violência e a perseguição para que hoje pudéssemos caminhar de cabeça erguida.
Por isso, estamos nas ruas.
Não queremos um Brasil onde o filho do pobre tenha apenas o direito de trabalhar para enriquecer o filho do rico. Queremos um país onde ambos possam sentar-se no mesmo banco da escola, abrir o mesmo livro e disputar o futuro em igualdade de condições.
Que ninguém se engane com o silêncio das multidões. O povo pode até demorar a despertar, mas, quando desperta, faz da rua o seu parlamento e da esperança a sua bandeira.
Não aceitaremos que a tesoura do retrocesso corte o fio da história, desfaça conquistas sociais e transforme a Educação em mercadoria.
Porque há sonhos que não cabem nos cofres dos bancos, nem nas planilhas dos tecnocratas, nem nas tesouras dos que governam de costas para o povo.
Estamos marchando para que o seu filho tenha o direito de estudar.
E continuaremos marchando enquanto houver uma criança sem escola, um jovem sem universidade, um professor sem dignidade e um brasileiro privado do direito de sonhar.
Que venham as ruas, as praças, as vozes e os passos.
Porque o futuro não se constrói de joelhos.
E o tesouraço do retrocesso jamais será maior que a força de um povo que decidiu defender seus sonhos.

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