
Edmilson Lucena
A palavra “natural”, no discurso político-social de hoje em dia, parece ter tantos sentidos quantos são os falantes. Para os ambientalistas, é “natural” o que não tem aditivos manufaturados, como uma fruta sem pesticida. Para os naturalistas, é “natural” o que pode ocorrer sem coerção, como o incesto entre os cachorros.
No sentido aristotélico do termo, contudo, introduzido no discurso político sem que se perceba muito bem do que se trata, “natural” é aquilo que leva algo à perfeição de sua natureza. Assim, é natural ao homem casar-se e ter filhos, mas não é natural matá-los, ainda que haja quem o faça sem ser coagido. Tampouco, evidentemente, é natural confundir o sistema digestivo com o reprodutivo. Concordam comigo, ou não?
ROUPA SUJA
Em vez de se ver e estudar boas propostas dos candidatos a governador e a deputado e senador, só o que se ouve são acusações, a maioria enlameando o nome dos opositores. Isso era assim quando eu era pequeno e continua se perpetuando. Uma Paraíba bem estruturada e persistente, é disso que precisamos, não de acusações.
CADÊ O DINHEIRO?
Na medida em que os dias passam e os recursos não aparecem, a gente começa a ver candidatos desistindo, cabos eleitorais profissionais se desiludindo e a campanha cada vez mais curta!
DESIGUALDADE SOCIAL
Quando as consequências de um raciocínio são excessivamente aberrantes é comum que elas sejam ignoradas. É o que ocorre com a demonização atual da desigualdade social. Ensina-se nas escolas que a desigualdade social é um mal; as notícias de jornal e as políticas públicas partem desse pressuposto, sem que ninguém, aparentemente, dê o próximo passo lógico.
Ora, a desigualdade social é um bem, não um mal. É desigualdade social um cirurgião ganhar mais que um auxiliar de enfermagem ou um professor universitário ganhar mais que um servente de pedreiro. Má é a miséria, não a desigualdade.
RESPEITEM O POBRE!
Atribuir a criminalidade à pobreza é ofender todos os pobres. Ser criminoso é a escolha pessoal e deliberada de uma minoria infame e minúscula. Quem escolhe a “vida loka” (com “k”, mesmo; é assim que eles se identificam) quer lucro rápido, prazer imediato e poder de vida e morte sobre suas vítimas, assumindo o risco – cada vez menor devido à proteção atualmente dada aos criminosos – de ser preso ou de tombar em confronto com concorrentes ou com as forças da lei.
O criminoso é fundamentalmente um predador; como todo predador, sua vítima preferencial é quem é mais fraco que ele. Ora, quem é mais frágil que o pobre, mormente a mulher pobre?
DEMAGOGIA BARATA
Quando o candidato a deputado faz declaração em Cartório dizendo que não quer receber o salário, é bom o eleitor abrir bem o olho. Quem é que trabalha de graça neste País? De algum lugar vai sair, não há dúvidas!!
E HAJA VERSATILIDADE!
O que se vê sempre neste período de campanha eleitoral, é que tem colunista político mais versátil que bacia de pobre!