Faltando menos de duas horas para cumprir a promessa de acabar com a civilização iraniana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump recuou mais uma vez do ultimato imposto ao Irã, suspendendo por duas semanas a ameaça de ataques diretos à infraestrutura do país e à sua população, sem que um acordo formal tenha sido fechado entre as partes.
A decisão ocorre após intensa pressão diplomática internacional e, sobretudo, após o apelo do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que passou a atuar como principal mediador na tentativa de evitar uma escalada militar no Oriente Médio. Segundo a CNN, Israel também teria aceitado o cessar-fogo, mas não se sabe se o Irã aceitou suspender os ataques.
Ao longo do dia, o ambiente chegou ao limite, impulsionado por declarações do vice-presidente JD Vance de que Washington dispõe de “ferramentas” que ainda não foram utilizadas. Com isso, Vance abriu espaço para interpretações sobre o uso de armamentos de maior poder destrutivo, gerando forte apreensão internacional. A fala, somada ao alerta de Trump sobre consequências devastadoras, elevou o risco percebido de um conflito nuclear.
A atuação do Paquistão foi decisiva para a inflexão. Ao propor um cessar-fogo de duas semanas e a extensão do prazo para negociações, Sharif abriu uma janela diplomática que acabou sendo acolhida por Washington. Ainda assim, o recuo americano não representa uma solução definitiva, já que não houve avanço concreto nas negociações com Teerã, mantendo o cenário de incerteza.
No campo diplomático, o impasse se agravou com o veto de Rússia e China, no Conselho de Segurança da ONU, a uma resolução sobre segurança no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O gesto foi interpretado como alinhamento indireto ao Irã e reforçou o isolamento das posições americanas.
Durante o dia, o Irã mobilizou sua população. Correntes humanas foram formadas em torno de usinas de energia, numa estratégia simbólica de defesa civil e demonstração de coesão nacional. O movimento, incentivado por autoridades iranianas, revelou o grau de preocupação com possíveis ataques à infraestrutura crítica, especialmente após ameaças diretas dos Estados Unidos.
Os ultimatos vazios de Trump
A sequência de ultimatos e recuos de Trump tem enfraquecido sua imagem dia a dia. Em 21 de março, Donald Trump lançou o primeiro ultimato com prazo de 48 horas para que o Irã atendesse às exigências americanas. Dois dias depois, em 23 de março, houve a primeira flexibilização, com a extensão por mais cinco dias. Mas já em 26 de março, um novo recuo: o prazo foi ampliado por mais dez dias, indicando que, apesar do discurso duro, havia dificuldade em sustentar a ameaça inicial. No dia 30 de março, Trump voltou a endurecer o tom e emitiu um novo ultimato, exigindo um acordo “rapidamente”, reacendendo o risco de escalada.
A tensão voltou ao pico em 4 de abril, quando foi estabelecido um segundo prazo formal de 48 horas, reforçando a narrativa de urgência. No entanto, já no dia seguinte, 5 de abril, o governo americano voltou atrás e estendeu o limite até 7 de abril, às 21h (horário de Brasília), recuando horas antes do prazo final.
Entre ameaças e recuos, Trump anunciava repetidamente que mantinha negociação com o Irã, sem que houvesse avanços concretos ou sequer confirmação de diálogo efetivo. O discurso de “negociações acaloradas” contrasta com a ausência de resultados, enquanto os ultimatos se acumulam sem desfecho, minando a credibilidade americana no processo.
A suspensão dos ataques por duas semanas, após o prazo final, reforça essa dinâmica: não houve concessão iraniana, apenas a constatação de que a estratégia de intimidação não produziu efeito imediato. Algo que está fragilizando o poder de barganha do governo dos Estados Unidos, pressionado por uma crescente insatisfação popular.
A proposta de cessar-fogo apresentada pelo Paquistão e os esforços de mediação de países como Arábia Saudita e Turquia indicam que a via diplomática permanece aberta, ainda que fragilizada.
